Para Edson Braga, prosperidade não deveria ser medida apenas pelo que conseguimos acumular, mas também pela capacidade de agradecer, servir e permanecer humano enquanto empresas, patrimônio e responsabilidades crescem
Construir costuma ser associado a movimento.
Criar empresas.
Gerar empregos.
Ampliar patrimônio.
Conquistar mercados.
Assumir responsabilidades.
Resolver problemas.
Buscar novas oportunidades.
Mas, para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, existe uma pergunta que deveria acompanhar toda trajetória de crescimento:
O que ainda conseguimos agradecer enquanto construímos?
A reflexão parte de uma passagem do Salmo 100, que apresenta a ideia de servir com alegria.
Para Edson, talvez uma das palavras mais importantes dessa mensagem seja justamente “alegria”.
Servir quando tudo acontece de acordo com o planejamento pode parecer natural. Agradecer depois de conquistar uma meta também é relativamente simples.
O desafio aparece enquanto a resposta ainda não chegou.
Enquanto o negócio não fechou.
Enquanto o resultado está abaixo do esperado.
Enquanto existe incerteza.
Enquanto a jornada exige mais do que alguém imaginava que conseguiria oferecer.
Nesse contexto, gratidão deixa de ser apenas uma reação diante daquilo que recebemos e pode se tornar uma forma diferente de atravessar a própria caminhada.
Gratidão não precisa esperar a chegada
Grande parte da vida é organizada em torno de objetivos futuros.
Quando a empresa atingir determinada meta.
Quando o patrimônio chegar a determinado nível.
Quando o contrato for assinado.
Quando o reconhecimento aparecer.
Quando determinado problema finalmente for resolvido.
O risco, segundo Edson Braga, está em condicionar a capacidade de agradecer ao momento em que todas essas coisas acontecerem.
Porque sempre haverá outro objetivo.
Outra negociação.
Outra preocupação.
Outro projeto.
Outra meta.
E, dessa forma, a vida pode ser constantemente adiada para depois da próxima conquista.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, talvez seja necessário desenvolver a capacidade de perceber aquilo que já existe enquanto ainda se continua buscando aquilo que falta.
Muitas coisas que hoje parecem normais já foram sonhos
Com o passar do tempo, determinadas conquistas deixam de causar o mesmo impacto emocional que provocavam no início.
Aquilo que parecia extraordinário passa a fazer parte da rotina.
Uma empresa que antes era apenas uma ideia se transforma em obrigação diária.
Uma oportunidade que parecia impossível passa a ser tratada apenas como mais uma responsabilidade.
Pessoas que um dia foram motivo de profunda alegria começam a parecer parte natural da paisagem.
É nesse ponto que Edson Braga propõe uma pergunta:
Quantas coisas que hoje tratamos como comuns foram, algum dia, exatamente aquilo que desejávamos alcançar?
Talvez um dos exercícios mais importantes da maturidade seja recuperar a capacidade de enxergar valor antes que a ausência precise ensinar aquilo que a presença significava.
Não somos proprietários absolutos daquilo que construímos
A reflexão de Edson José Bandeira Braga Filho também apresenta uma mudança na forma de observar patrimônio, empresas e influência.
Em vez de proprietários definitivos, talvez possamos nos enxergar como administradores temporários.
Administramos tempo.
Talentos.
Recursos.
Empresas.
Relacionamentos.
Oportunidades.
Influência.
Nada disso permanece indefinidamente sob nosso controle.
Empresas podem mudar de mãos.
Patrimônio será transferido.
Cargos terminam.
Relações atravessam diferentes fases.
Até o tempo que acreditamos possuir possui um limite.
Para Edson Braga, essa consciência não diminui a importância de construir.
Pode justamente aumentar o senso de responsabilidade sobre aquilo que fazemos com o que está temporariamente em nossas mãos.
Uma empresa também pode ser uma forma de serviço
No empreendedorismo, essa perspectiva altera o significado de uma organização.
Uma empresa deixa de ser apenas aquilo que seu fundador construiu para si.
Ela passa a representar também uma estrutura que atende clientes, sustenta profissionais e influencia famílias.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, empreender pode ser entendido como uma forma de serviço.
Serviço ao cliente.
À equipe.
Às famílias que dependem das decisões da organização.
Ao mercado.
À sociedade.
E a um propósito que precisa ser maior do que o ego de quem ocupa a liderança.
Nesse sentido, lucro continua sendo fundamental.
Uma empresa precisa gerar resultado para sobreviver, investir e cumprir suas responsabilidades.
Mas o resultado financeiro não precisa ser a única medida daquilo que está sendo construído.
Existe uma diferença entre construir algo importante e querer provar que somos importantes
Ao longo de uma trajetória de sucesso, essa distinção pode se tornar cada vez mais delicada.
Uma pessoa pode começar motivada pelo desejo de resolver um problema.
Depois, a empresa cresce.
Surge reconhecimento.
A influência aumenta.
E, silenciosamente, a motivação pode mudar.
Para Edson Braga, existe diferença entre desejar construir alguma coisa relevante e passar a utilizar a própria construção para provar o próprio valor.
O ego pergunta quanto daquela conquista pertence a ele.
A gratidão pergunta o que pode ser feito com aquilo que foi recebido.
O ego interpreta conquista como confirmação de superioridade.
A gratidão transforma a mesma conquista em responsabilidade.
Essa diferença pode alterar completamente a maneira como alguém lidera.
Crescimento também aumenta responsabilidade
Quanto maior a empresa, maior pode ser o impacto de determinadas decisões.
Uma contratação pode alterar uma família.
Uma demissão pode produzir consequências muito além da organização.
Uma decisão ética pode estabelecer um padrão observado durante anos.
Uma oportunidade oferecida a determinado profissional pode transformar sua trajetória.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, talvez a prosperidade adquira maior significado quando o crescimento de uma pessoa também produz possibilidades para outras.
É possível deixar patrimônio.
Mas também é possível deixar pessoas mais preparadas, confiantes e capazes.
E os dois legados possuem naturezas diferentes.
Uma cultura pode atravessar gerações
Resultados financeiros pertencem a períodos específicos.
Uma empresa pode apresentar bons números durante alguns anos e depois atravessar uma realidade completamente diferente.
Mas determinados valores podem permanecer.
A maneira como pessoas são tratadas.
A forma como responsabilidades são assumidas.
A importância dada à palavra.
O comportamento da liderança durante as crises.
As oportunidades oferecidas.
A cultura criada dentro de uma organização.
Segundo Edson Braga, talvez esse seja um dos aspectos mais relevantes do legado empresarial.
Uma empresa pode produzir lucro por determinado período.
Mas uma cultura pode continuar influenciando pessoas muito depois de seus fundadores deixarem a operação.
A agenda também revela nossa gratidão
Existe outra dimensão da reflexão que ultrapassa os negócios.
Família.
Amigos.
Saúde.
Relacionamentos.
A própria vida.
É possível dizer que alguma coisa possui enorme importância e, ainda assim, tratá-la diariamente como se estivesse garantida.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, amadurecer também significa aprender a reconhecer aquilo que merece gratidão enquanto ainda está presente.
Agradecer por pessoas enquanto ainda é possível conversar com elas.
Valorizar relacionamentos antes que o tempo os transforme.
Reconhecer oportunidades enquanto ainda estão acontecendo.
Perceber saúde enquanto ela permite viver experiências que parecem simples.
Porque algumas coisas só se tornam visíveis depois que desaparecem.
E talvez sabedoria também signifique não depender da perda para compreender o valor.
O que fizemos com aquilo que recebemos?
Ao pensar sobre espiritualidade e responsabilidade, Edson Braga formula uma pergunta que considera maior do que simplesmente quanto alguém conseguiu construir:
O que fizemos com aquilo que esteve em nossas mãos?
Quantas pessoas foram beneficiadas?
Quantas oportunidades foram criadas?
Quanto bem foi produzido?
Quanto da humanidade foi preservado durante o crescimento?
Quanto foi possível agradecer mesmo quando ainda havia muito a conquistar?
Essas perguntas deslocam a avaliação do sucesso.
De quantidade para significado.
De propriedade para responsabilidade.
De conquista para serviço.
Construir muito sem deixar de agradecer
Edson José Bandeira Braga Filho afirma continuar acreditando profundamente em crescimento.
Sonhar grande.
Empreender.
Trabalhar.
Gerar riqueza.
Criar oportunidades.
Construir patrimônio.
Nada disso precisa ser reduzido para que exista gratidão.
Talvez o desafio esteja justamente em fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Continuar buscando o próximo passo sem desprezar o lugar atual.
Trabalhar pelo futuro sem deixar de viver o presente.
Celebrar o crescimento sem transformar conquista em identidade.
Ter muito nas mãos sem permitir que aquilo ocupe completamente o espaço de quem somos.
Aquilo que fazemos pelas pessoas pode continuar depois de nós
Negócios passam.
Cargos terminam.
O dinheiro muda de mãos.
Empresas ganham novos proprietários.
Decisões que hoje parecem urgentes podem um dia ser esquecidas.
Mas pessoas carregam experiências.
Um profissional pode lembrar durante décadas de quem lhe ofereceu uma oportunidade.
Um filho pode reproduzir valores que observou dentro de casa.
Um parceiro pode guardar a memória de uma atitude tomada em um momento difícil.
Um colaborador pode repetir com outras pessoas aquilo que aprendeu convivendo com determinado líder.
Para Edson Braga, talvez seja esse um dos patrimônios capazes de atravessar gerações.
Não apenas aquilo que permanece registrado no nome de alguém, mas aquilo que continua vivendo nas pessoas que cruzaram sua trajetória.
Prosperidade também pode ser a capacidade de permanecer grato
No fim, para Edson José Bandeira Braga Filho, a verdadeira prosperidade pode ser maior do que possuir cada vez mais.
Pode ser conquistar sem perder a capacidade de agradecer.
Crescer sem esquecer como servir.
Prosperar sem permitir que patrimônio substitua identidade.
Construir sem acreditar que tudo aquilo existe exclusivamente por mérito individual.
Olhar para o alto e dizer:
“Obrigado.”
Olhar para o lado e perguntar:
“Como posso servir?”
E olhar para dentro para avaliar:
“Estou me tornando alguém melhor com tudo aquilo que estou construindo?”
Talvez essa seja uma forma mais completa de medir sucesso.
Não somente pelo tamanho daquilo que conseguimos colocar em nossas mãos.
Mas pela qualidade da pessoa que continuamos sendo enquanto carregamos tudo isso.
Porque talvez a ambição seja importante para nos fazer avançar.
Mas a gratidão é aquilo que impede que avancemos tanto a ponto de esquecer o valor do lugar onde já chegamos.
